Assassin’s Creed Syndicate: um olhar sobre os gêmeos Frye na franquia

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Podemos dizer que todas as franquias de jogos possuem, no mínimo, dois tipos de jogadores: os casuais e os fãs. Essa separação não quer dizer que um seja melhor que o outro, mas, apenas, que os casuais querem um jogo bom, divertido e que compense as horas de diversão (e o dinheiro investido), enquanto os fãs querem TUDO sobre o jogo. Antes mesmo de comprar o título, eles querem trailers, fotos, informações, livros, roupas e por aí vai. E, depois, com o game em mãos, eles querem TUDO, de novo, só que dentro do jogo. Isso significa o máximo de informação dos personagens, passar o máximo de tempo jogando o título e, claro, eles querem se apaixonar pelos personagens.

Eu comecei falando isso para que fique claro a respeito da diferença de significado da franquia Assassin’s Creed (como qualquer outra) para os casuais e os fãs. Se você é um fã apaixonado, com certeza sabe o que eu quis dizer aí em cima. E, se você é só um jogador casual, saiba que é muito bem-vindo ao blog, mas prepare-se para ler um texto feito por um um cara que se considera fã de Assassin’s Creed.

O artigo, em si é para falar de Jacob e Evie Frye. Entretanto, trata-se aqui de uma comparação desses dois com relação aos outros personagens principais da franquia. Para fazer isso, eu tentei passar por cada um dos títulos de Assassin’s Creed, desde o primeiro jogo Triplo A até chegar em Assassin’s Creed Syndicate, para então você entender o porquê do meu julgamento.

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Antes de começar, eu advirto, não, eu não desgosto de qualquer um dos personagens principais, muito pelo contrário, eu gosto de todos. TODOS.

Sendo assim, eu só espero que você leia sem mimimi. Na verdade, você pode ler com mimimi, sim, só, acredite: primeiro, eu não tenho mimimi quanto a quem é melhor na franquia e, segundo, eu odeio que façam isso.

Assassin’s Creed: Altair e Ezio, os maiores Assassinos na história do jogo

Vamos voltar no tempo e falar dos personagens principais de Assassin’s Creed – todos eles. Primeiramente, Altair.

como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed-altair-02Com certeza o grande personagem da franquia, quase um “pai de todos”, por ser o Assassino debutante e aquele que “fundou” o Credo dos Assassinos como o conhecemos. Claro que a Irmandade já existia antes mesmo de Altair nascer, mas foi graças aos acontecimentos narrados no primeiro Assassin’s Creed que tivemos uma Irmandade com o formato atual.

Depois, Ezio Auditore, o grande pop-star da franquia, responsável por popularizar a saga e estrelar vários títulos. Sob a face de Ezio, Assassin’s Creed se tornou a franquia que é hoje, quando seus jogos mostraram todo o poder do título com um dos melhores jogos de toda a história dos games (Assassin’s Creed II). Isso não significa que foi Ezio que fez Assassin’s Creed se tornar famoso (não me entenda errado), mas foi sob o rosto dele que os gamers começaram a conhecer a saga.

E, parando para falar um pouco mais desses dois, enquanto a relação com Altair pode ser considerada a de “o Mestre”, aquele cara distante, sábio e poderoso, que parece alguém inatingível, por sua vez, com Ezio, nós, fãs, tivemos uma aproximação mais pessoal. Conhecemos toda a trajetória de Ezio desde seu nascimento e o vimos crescer, se tornar um jovem adolescente bon-vivant, e o acompanhamos perdendo tudo de sua vida em uma tragédia carregadíssima para, depois, seguir uma vida sofrida dentro da Irmandade dos Assassinos.

Até aqui, está tudo certo e tudo tranquilo. Dois grandes Assassinos com trajetórias complicadas, mas que tiveram suas vidas abertas para nos mostrar quão grandes eles eram.

E depois disso, começam as mudanças na saga.

Depois de Altair e Ezio, os personagens principais começaram a nos entregar alguns problemas e soluções polêmicas, que os distanciaram dos grandes mestres fodões que foram Altair e Ezio.

como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed-ezioAntes que algum desgraçado venha me falar que tal personagem é melhor por isso, ou por aquilo, vou deixar claro uma coisa, meu Assassino favorito é o Connor, ok? Não tem essa de eu acho que tal Assassino é melhor porque eu gosto, eu não tenho saco para isso.

Voltando… Altair escreveu o Codex, dominou a Maçã por anos e (re)fundou a Irmandade nos moldes atuais. Ezio, por sua vez, se tornou um dos maiores Mestres Assassinos de sua Época destronando ninguém menos do que a família mais poderosa do mundo e, que, também, eram Templários – enquanto aproveitava para cumprir sua vingança.

É indiscutível que esses dois personagens criaram valores grandes o suficiente para serem considerados os maiores Assassinos da história na franquia.

Mas isso aconteceu por um detalhe muito importante: a Ubisoft se propôs a mostrar a história desses personagens até o final.

Assassin’s Creed e a história da família Kenway – a diminuição da grandeza

E então, chegamos num período um pouco diferente. Depois desses dois, os personagens principais de Assassin’s Creed caíram em falhas mais graves, tanto de seus atos, quanto da quantidade de informações que surgiram sobre eles.como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed-connor

Vejamos Ratonhnhaké:ton, ou melhor, Connor: filho de Templário, passa o jogo inteiro sendo praticamente manipulado e gasta toda sua energia contra um personagem que, ao final, não era o grande malfeitor da história. Para piorar a situação de Connor, ele foi o primeiro personagem principal que não teve toda a sua vida contada. Altair e Ezio receberam atenção até o fim dos seus dias, Connor, envelheceu, casou, teve filho, vive uma tragédia com a mulher e é isso aí.

Descaso da Ubisoft? Talvez. Mas isso não muda o fato de como o personagem se tornou “menos” importante para a Irmandade como um todo, quando o comparamos com seus antecessores, Altair e Ezio.

Mas, a coisa piora…

Depois de Assassin’s Creed III (não vou falar muito de Aveline, em Assassin’s Creed Liberation, mas o próprio fato dela ter sido “vendida” como uma traidora como propaganda da Abstergo, também já mostra essa faceta de Assassinos “mais falhos” que seus antecessores), surgiu a continuação que mostraria o antepassado de Connor. Como praticamente todo mundo sabe, Assassin’s Creed IV Black Flag conta a história do pirata Edward Kenway, avô de Connor.

E mesmo Edward Kenway sendo um ótimo personagem, ele também não consegue evocar a grandeza de seus antecessores. Primeiro porque ele é polêmico por ser considerado mais Pirata do que Assassino. E isso é um fato. Independentemente do que os fãs de Edward vão achar, ele realmente desempenha seu papel no jogo como um pirata, desdenhando qualquer atuação como membro da Irmandade dos Assassinos. Isso, no entanto, não o torna um personagem ruim, pelo contrário: Edward é um dos personagens mais interessantes da franquia, exatamente por ele ser um pirata na maior parte do seu tempo, simplesmente tendo sua vida atrelada à Irmandade talvez porque o destino tenha assim feito.como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed-edward

Agora, seguindo a mesma fórmula que fiz para Connor, dá para resumir Edward Kenway em: pirata, descrente da Irmandade e motivado por riqueza. Claro, claro, sua história não se resume a isso. Depois, nos livros, tanto em Renegado, como em Bandeira Negra, conhecemos muito mais sobre o personagem e temos uma nova imagem sobre ele. Mesmo assim, a morte de Edward Kenway é algo quase banal (vamos falar a verdade, foi uma bela duma morte de bosta), diminuindo um personagem tão poderoso a um acontecimento “simples”.

Sim, isso é questão de ponto de vista, mas, Edward Kenway nem chega a se tornar um Assassino tão grande quanto seus antecessores porque a Ubisoft o matou antes disso. Significa que ele não é importante. Não, porra! Não foi isso que eu disse. Eu disse que, perto da grandeza que os fãs estavam acostumados com Altair e Ezio, esses dois representantes da família Kenway simplesmente escorregaram no vinagre.

Assassin’s Creed Unity e Rogue: o poder da expectativa, para o bem e para o mal

como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed-arnoDepois da saga Kenway, chegamos ao que seria o maior dos jogos da franquia Assassin’s Creed. Sim, Arno, na França. Eu já falei isso antes e, vou repetir, Assassin’s Creed Unity era para ter sido o maior jogo da franquia Assassin’s Creed. E, por quê? Bom, para começar, o jogo se passa na França. Não por coincidência, a Ubisoft é francesa. Nem preciso continuar…

Segundo, trata-se de um período histórico altamente complicado. Todas as reviravoltas presentes na Revolução Francesa são um plano de fundo magistralmente rico por natureza. Qualquer mídia que resolva utilizar esse período como alicerce para sua história terá muito, mas muito, mas muito material para criar algo no mínimo rico.

Terceiro, Assassin’s Creed Unity veio para vender os consoles da nova geração. Pode não parecer, mas isso é uma puta responsabilidade. Antes de Assassin’s Creed, nenhuma outra grande franquia tinha chegado nos consoles Xbox One e Playstation 4 prometendo o que prometeu. E, bem, todo mundo sabe o que aconteceu.

Mas, falando de Arno. O personagem, assim como o jogo, simplesmente não mostrou a que veio. E antes que você me xingue, eu adoro o Arno. Eu me simpatizo com o personagem e adoro a intriga que ele vive e as angústias que ele sente. Viver um amor proibido com uma Templária foi um elemento que eu realmente gostei de saber que existiu, mas, no desenrolar do jogo, pareceu simplesmente muito menor do que poderia ter sido. O que faltou? Não sei dizer. Talvez mais acontecimentos dramáticos, mais influência das ações deles nos acontecimentos históricos, talvez, até, mais momentos íntimos em que os jogadores pudessem realmente se apaixonar pelos dois.como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed-arno-e-elize

Eu adorei Élise – no livro, Unity, então, ela é ainda mais apaixonante. A meu ver, ela é uma personagem mais resolvida que Arno (geralmente, as mulheres são mais resolvidas que os homens, isso não é novidade). Ela é apaixonante e, Arno, em toda a sua bocózisse, também, mas, o relacionamento deles mostrado no jogo não convenceu.

E aí, eu volto a resumir o personagem: Arno está perdido em um período histórico turbulento. Ele precisa descobrir quem matou seu padrasto, seu pai, tentar se resolver com Élise, ajudar os Assassinos a desempenhar seu papel na Revolução, tudo isso em um espaço de tempo bastante curto. Esse monte de responsabilidades não me parece “muita coisa” para Arno resolver, tanto é que ele consegue fazer praticamente tudo isso (nem tanto), mas me parece que a Ubisoft não conseguiu mostrar essa “muita coisa” com a qualidade que todos esperavam.

Veja, Assassin’s Creed Unity é um bom jogo. Eu gosto MUITO dele e recomendo a todos que joguem. Acho ele não apenas divertido, como lindo, com um sistema bacana, com uma ambientação maravilhosa e com personagens profundos e uma história muito rica, mas, ainda assim, todos esses ingredientes de coisas boas nos foram entregues, talvez, com a receita um pouco errada, como se tivessem errado no fermento ou no sal, daí… O resultado final acabou sendo mais decepcionante do que genial e isso cai nas costas do Arno.

Para retomar o raciocínio, vale lembrar que o fim da vida de Arno também não nos é esclarecido. Ou seja, assim como Connor, ficamos à deriva imaginando como deve ter sido seu fim. Como alguém realmente grandioso, ou um final bosta como o de Edward.

Para piorar a situação, ao mesmo temo surgiu o modesto Assassin’s Creed Rogue. Sim, modesto, mas fantasticamente genial. Este foi um dos títulos que mais gostei de toda a saga pelo simplesmente fato de mostrar a história do ex-Assassino que vira Templário.

como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed-shayDesde Assassin’s Creed (1), a história dos Templários estava sempre mal resolvida com relação a quem estava certo, entretanto, quando você só joga com os Assassinos (e tem um jogo que se chama Credo dos Assassinos), é óbvio que seremos tendenciosos e interpretaremos que os Assassinos estão agindo certo… Certo? Errado.

Logo em Assassin’s Creed (1), a cada novo assassinato fica evidente que Altair está em dúvida, perdido, angustiado e tudo mais… Isso mostra que o certo e errado em Assassin’s Creed é algo muito delicado. Entretanto, na saga Ezio, tudo fica mais “preto no branco” e conhecemos os Templários como vilões sob o manto do clã Borgia. Masssss, em Assassin’s Creed III vemos a dúvida, plantada no primeiro jogo, nascer e começar a florescer, já que conhecemos Haytham Kenway e vemos o cara legal que ele é. Quem leu o livro, então, sabe por tudo o que ele passou para se tornar um Templário foda, além do seu dilema, tanto para com o pai, quanto para com o filho.

E eu dei toda essa volta para falar que, Shay Cormac, o ex-Assassino e personagem principal Templário de Assassin’s Creed Rogue é o símbolo do erro dos Assassinos. É com ele que vemos, claramente, que Assassinos podem estar errados e que os Templários não são os filho-duma-puta que conhecemos na saga Ezio. Mas, mesmo sendo um puta personagem foda, com conhecimento da Irmandade, mais o conhecimento da Ordem (sério, o Shay é muito foda), ele sofre do mesmo mal que os outros personagens: não sabemos que fim ele levou. Então, mais um personagem do caralho que entra para o clube dos personagens foda que ninguém sabe que fim levou…

Assassin’s Creed Syndicate e o carisma dos gêmeos Frye

Ao final, temos os gêmeos assassinos mais famosos do mundo moderno dos games: Jacob e Evie Frye. Os protagonistas em Assassin’s Creed Syndicate não são exatamente o que vimos nos primeiros grandes Assassinos da franquia, mas eles também não são os personagens que nos passam uma imagem “cinza” do sucesso na Irmandade.

E, depois de todo essa volta, vejam como eu enxergo os irmãos Frye na saga.como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed

Esses dois irmãos são responsáveis não apenas por um belíssimo jogo em Assassin’s Creed Syndicate, mas principalmente, em trazer vida e movimento a uma franquia que estava precisando disso. Podemos começar dizendo que o fato de a Ubisoft nos dar dois personagens para escolher já cria um ar diferente em toda a franquia. Ainda, o fato de nos colocar uma Assassina para controlar… Isso, simplesmente, amplia o que temos como novidade (sim, temos em Liberation, mas o jogo foi desenvolvido para portátil, é outra coisa).

Além de dois personagens, Assassin’s Creed Syndicate traz dois irmãos, um homem e uma mulher e cada qual com um comportamento tão distinto que, realmente, jogamos com personagens completamente diferentes. É uma experiência única transitar entre esses dois no momento de acompanhar a história. Chega a ser impossível desempenhar o mesmo tipo de estratégia e jogo quando se controla cada um deles, já que sabemos que eles agiriam de modos diferentes em uma mesma situação.

A meu ver, esses dois personagens mostraram o prazer e o orgulho de serem Assassinos, mesmo em um tempo de adversidades. Só para relembrarmos a contexto, em Assassin’s Creed Syndicate, Londres é a capital mundial, responsável pela Revolução Industrial e praticamente ditando o que acontece e como acontece no mundo. E essa cidade é o resultado do plano bem-sucedido dos Templários.

Este é o palco para dois irmãos Assassinos, que agem em uma cidade afastada, e que podemos falar que é o Interior da Inglaterra, decidirem que vão fazer a diferença combatendo os Templários no terreno deles.

como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed-jacob-01Essa vivacidade, vontade, ciência do poder e orgulho do que faz estão presentes no olhar, nas palavras e nas ações de Jacob. Ele é o mais inconsequente dos Assassinos, mas que tem um poder em sua decisão e ações que talvez nenhum outro Assassino tenha (Edward, talvez, mas não é em prol da Irmandade). Jacob, mais do que saber que é capaz de fazer algo, ele se diverte com isso. Ele sente prazer em ser um Assassino – e, talvez, apenas Altair mostrou isso em seu começo de carreira, mas, ao mesmo tempo, ele nos mostrou sua arrogância junto.

Jacob é até ingênuo algumas vezes, mas ele não tem dúvida de que é capaz de fazer algo. Diferente de alguns outros Assassinos menos convictos. Connor, por exemplo, tinha certeza do que queria, mas ficou anos seguindo Aquiles, para só depois decidir tomar as rédeas de suas ações e, ainda assim, desempenhar um papel de engano, já que foi “sempre” ludibriado.

Edward nem se preocupava com “Assassinos” e Arno vivia dividido entre resolver sua vida pessoal e fazer a “França” funcionar. Com Jacob, não tem tempo meio termo: ele só vê (ou pergunta para Evie): o que é para fazer? Sabendo o que deve ser feito, ele vai resolve, volta, senta e ainda pede uma cerveja. É um cara que só podemos chamar de uma coisa: foda!

Se você jogou Syndicate e montou o Rookies, relembre que o cara do interior, praticamente sozinho, entrou na capital mundial e base dos Templários, montou uma gangue adversário e tomou o domínio dos mais poderosos.

como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed-evie-01Ao seu lado, temos a irmã Evie que, mesmo sendo o oposto de Jacob, tem um comportamento tão foda quanto. Evie traduz a paixão do jogador pelo universo e conhecimento da Irmandade dos Assassinos, já que ela estuda tudo, quer saber de tudo e quer desempenhar o papel “talvez nato” do que todo grande Assassino precisa fazer: encontrar os Pedaços do Éden. Ou seja, Evie está lá garantindo que a essência da franquia permaneça dentro do jogo.

O que fazemos durante todos os jogos de Assassin’s Creed? Matamos e fazemos parkour, sim, eu sei, mas, o objetivo é sempre encontrar os Pedaços do Éden para uma coisa ou outra. Essa característica é totalmente o perfil da Evie que, ao mesmo tempo em que uma “Assassina Culta”, ela também é poderosamente forte e, principalmente, ágil na hora de desempenhar seu papel. Enquanto Jacob é mais bruto, Evie é mais calculista e, a junção desses dois é um verdadeiro deleite para os fãs da saga.

E outra coisa, assim como Jacob, Evie executa seu papel com intensidade. Ela gosta do que está fazendo, se preocupa demasiadamente com o que acontece e tem um plano em mente muito claro acerca do que procura para a Irmandade. Em suas ações e falas, é possível percebermos essa intensidade e vivacidade; é possível dizer que Evie gosta do que está fazendo. Ela vive os seus momentos como Assassina com grande a mesma força que Jacob.

Tentando resumir os gêmeos assassinos de Assassin’s Creed Syndicate, talvez eles sejam os primeiros personagens que transmitam o prazer de ser um Assassino no universo de Assassin’s Creed:

como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-assassins-creed-jacobAltair gostava de ser um Assassino, mas viveu um gigantesco drama para poder retornar à Irmandade.

Ezio nunca quis ser um Assassino e a tragédia de sua vida o fez ser quem ele foi, mas ele sempre buscou resolver as coisas para abandonar aquela vida, até que conseguiu.

Connor buscou a Irmandade como um meio para atingir seus objetivos e, mesmo vivendo isso com intensidade, os únicos momentos em que parecia que ele estava “gostando” era quando criava sua comunidade, mas, no geral, ele foi pragmático e lutou por um “engano”.

Edward mostrou que ‘tava pouco se fodendo para a Irmandade (e isso é muito foda, sério) e, quando isso veio a se tornar importante, obtivemos muito pouco do que Edward sentia fazendo isso.

Arno, como eu disse, estava perdido demais entre descobrir quem eram seus algozes, como viver com Elise e, ao mesmo tempo, consertar a França. Seus sentimentos talvez sejam tão fragmentados quanto os fragmentos do Animus (piada bosta!).

Eu acho que nem preciso falar da frustração de Shay…

Sendo assim, os Irmãos Fryie são os Assassinos que talvez mais traduzam a nossa diversão, prazer e deleite de ser um Assassino no universo da franquia.

E você, o que acha dos gêmeos?

PS.: eu não citei o Desmond em nenhum momento do texto, pois acho que a comparação não cabe. Desmond era o personagem central de toda a trama e tinha um papel diferente dos protagonistas centrados no tempo passado. Por isso, eu acho, não cabe comparar.

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5 Comments

  1. Belo resumo Eder. O que mais me decepcionou um pouco com o Unity foi que o jogo é simplesmente uma espécie de investigação policial num dos momentos mais conturbados da história. A ponte que foi feita entre o Rogue e o Unity não fez muito sentido depois. Como seria foda um embate final entre o Arno e o Shay. Mas ele nem foi mencionado no jogo dando lugar ao broxante Germain. Quanto ao Connor eu tenho a certeza que ele é o personagem mais fraco da saga, muito mais pela história muito mal escrita pelo roteirista que quis fazer um cara totalmente anti-Ezio. Um bronco, duro e sem carisma algum perseguindo um sujeito bunda mole e insignificante ( até a história real do cara comprova isso) o tempo todo quando de tinha um Darth Vader da saga AC para se fazer um um conflito final fantástico, dramático e emocionante. Porém o final foi uma decepção só. O resumo de AC III foi…nunca faça um bullyng com um moleque de 10 anos.

    • Valeu pelo feedback, Marcelo.

      Então, eu sou muito suspeito para falar, pois o Connor é o Assassino que mais gosto. No geral, eu acho que o AC3 sofre de algo parecido com o AC Unity e comentei sobre isso aqui nesta postagem, falando sobre os gêmeos de Syndicate.
      http://assassinscreed.blog.br/como-jacob-e-evie-frye-conquistaram-os-fas-de-assassins-creed/

      Sobre o Connor:
      – eu não acho ruim o fato de ele ser contraponto do Ezio. Se ele fosse igual, as pessoas iam reclamar (como fazem com o Arno), daí o personagem é diferente, e também reclamam. Sempre vai ter público para amar e odiar. Até mesmo o Ezio sobre disso.

      – eu gosto muito da personalidade dele. Ele nasceu selvagem e conheceu um novo mundo sem perder a essência dele: inocência, bondade, valentia e violência. Ele é quase uma antítese, mas que reflete sua história: um selvagem se modernizando

      – também não gosto da intriga que foi criada para ele. Ao final, Connor só foi manipulado, tanto pela Juno, quanto por Washington ou Haytham e sua busca por Charles Lee é algo que começa meio torto e termina torto e meio.

      – ao mesmo tempo, o jogo do AC3 teve uma história totalmente comprometida. Ele foi feito na transição de plataformas, de diretores criativos e também de roteirista. Apesar disso tudo, eu ainda gosto muito do jogo, mas ele tem muitos problemas.

      – com ACUnity, acho um pouco pior, pois o título tinha TUDO para ser o melhor jogo de AC da franquia. Infelizmente, a pressa por lançar um título deu no que deu. Eu ainda gosto de ACUnity, mas a Ubi perdeu a chance de fazer um jogo excelente.

  2. Adorei esse texto!!!

    Eu gosto de pensar que a série Assassin’s Creed busca nos proporcionar diferentes emoções e experiências em cada um dos seus jogos, comos se fosse reinventando o que já existe, mas deixando a cargo dos jogadores entender isso. Embora eu adore MUITO Ezio e Altair (e os considere os pilares que definiram todo o Credo dos Assassinos), é com o Edward que eu tive a experiência mais distinta e memorável da saga. É normal achar que ele não foi um Assassino propriamente dito, já que por mais da metade do jogo ele permanece naquela busca incessante por fama e fortuna, até perder todos os que eram mais queridos a ele e só então começar a enxergar que a verdadeira luta entre Assassinos e Templários era mais séria do que ele supunha. Black Flag tem um dos finais mais emocionantes pra mim, especialmente pelo senso de redenção e amadurecimento do protagonista, o que é uma pena se a gente pensar que ele teve um fim tão abrupto e desrespeitoso. Mas talvez isso traga um pouco mais de realismo pra saga, onde até os caras mais fodões, que conseguem realizar grandes feitos, podem morrer num instante como se fossem irrelevantes.

    Talvez onde eu menos tenha notado essa diversidade de experiências tenha sido no Unity e no 3, provavelmente por terem sido jogos muito ambiciosos mas que não conseguiram equilibrar seus elementos narrativos e ainda torná-los interessantes o bastante. Felizmente o Syndicate trouxe a “redenção” da saga, como personagens extremamente carismáticos e uma história muito bem amarrada, embora o final tenha me deixado com um ar de “é só isso? eu queria mais…”. Espero que o filme que está por vir consiga traduzir as principais características dos jogos pra linguagem cinematográfica e que os jogos futuros sempre procurem melhorar essas experiências únicas proporcionadas por AC.

  3. Sei que foge um bocado do tema da postagem, mas tenho uma dúvida sobre Jacob.
    Evie ficou com Henry e isso ficou explícito dentro da história, mas gostaria de saber sobre Jacob. Rolaram rumores, teorias e tal, mas na realidade ele apenas teve uma mulher, uma criança e uma neta (assassina) durante toda história? Digo, essa foi a única evidência de um relacionamento dele?

    • Então, Rubens. Eu acho que essa falta de informação dos personagens é algo proposital. Com “mais coisas” para se abordar, a Ubisoft deixa portas abertas para novas produções com os personagens, seja em jogos, seja em quadrinhos ou livros.

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