Por que Assassin’s Creed IV Black Flag é tão aclamado?

tn-Assassins Creed IV Black Flag aclamado - Capa

Fãs de Assassin’s Creed insistem em discutir qual personagem ou jogo é o mais legal de toda a série. Isso é normal em toda franquia que dispõe de vários personagens equilibrados e com muitos traços em comum (quem não discutiu sobre qual Cavaleiro de Ouro é o mais forte em Saint Seiya?). Entretanto, este texto aqui é para falar sobre um dos personagens mais carismáticos de todo a franquia Assassin’s Creed e protagonista de um dos jogos mais divertidos de toda a série: Edward Kenway em Assassin’s Creed IV Black Flag.

Não vou entrar no detalhe de uma análise profunda dos vários quesitos do jogo, como sistema de combate, qualidade gráfica, sound effects e outras coisas, pois isso renderia um verdadeiro TCC que ninguém leria, então, aqui neste texto, ficam alguns apontamentos e comentários sobre os seguintes tópicos:

  • Assassin’s Creed IV Black Flag, um jogo de piratas
  • Edward Kenway, o personagem carismático
  • Um jogo desprendido de Assassin’s Creed
  • Um ótimo jogo de exploração (e isso ‘tá na moda)

E, afinal, por que me dediquei a fazer um texto sobre Assassin’s Creed IV Black Flag?

Minha vontade, de verdade, é escrever sobre cada um dos jogos. Deixando minha opinião sobre eles, colocando um pouco da minha experiência e tentando deixar mais claro para os fãs de Assassin’s Creed que todo jogo da saga tem seus defeitos e suas qualidades. E um jogador fã da saga precisa ser mais crítico com relação a isso. Veja, eu me considero fã de Assassin’s Creed, tenho meu jogo e personagem predileto com base na minha relação com a história, com o caráter do personagem e com a época em que joguei.

Essa experiência única é apenas minha. Ninguém pode tirar isso de mim, ou colocar numa balança e comparar com a experiência de outra pessoa e dizer que tal jogo é melhor. O que deve ser feito para comparar jogos é uma análise técnica, em que eu nem tenho competência para isso, mas tentei comparar os jogos da franquia aqui, no texto sobre qual é o melhor Assassin’s Creed já lançado.

Primeiramente, um contexto:

Assassins Creed IV Black Flag aclamado - logoO ano era 2014. Assassin’s Creed estava vendendo horrores com o primeiro título da série que havia se passado no ocidente. Vendendo horrores e apresentando o grande potencial de desenvolvimento em uma nova plataforma. A Ubisoft já tinha debutado sua Anvil Next com Assassin’s Creed III e o jogo, mesmo com alguns bugs, personagem principal controverso e uma história ainda mais polêmica, foi um sucesso de vendas. No ano seguinte, parecia que os estúdios da Ubisoft já tinham ganhado a malícia e preparavam tudo o que o seu antecessor tinha apresentado, mas agora de uma maneira muito maior.

Quando o tema da pirataria foi mostrado para o mundo, Assassin’s Creed IV Black Flag já era um sucesso. A melhoria da mecânica apresentada no jogo anterior, a ampliação do mapa, a apresentação de um personagem principal bad ass mais bonitão (com cara de Bon Jovi) foram alguns dos elementos que criaram uma grande expectativa. E assim foi. O jogo rendeu uma ótima experiência em termos de game, mas também trouxe uma notícia fúnebre a respeito da história. Mas, vamos com calma por cada um dos itens do texto.

Assassin’s Creed IV Black Flag – um jogo de piratas (e piratas são legais)

A atmosfera de Assassin’s Creed IV Black Flag

Assassin’s Creed IV Black Flag foi um grande sucesso por se tratar de um jogo de piratas independente da franquia Assassin’s Creed. Até mesmo dentro da história do jogo, Edward Kenway se torna um assassino “meio que por acaso”, roubando o manto e a hidden blade e assumindo o papel de Assassino anteriormente pertencido ao traidor Duncan Walpole.

Essa metáfora é altamente divertida já que piratas são ladrões e até mesmo o “manto de Assassino” é tomado por Edward, ao invés de merecido, dado ou herdado. Ainda que o personagem sempre tenha sido um Assassino em sua essência e descendência, o ato de “tomar para si” o manto de Assassino é uma ótima representação da personalidade do personagem e do que se trataria o jogo.

tn-Assassins Creed IV Black Flag aclamado - Edward em Duncan

Mas, quando falamos de atmosfera, é se tratando de como o jogador encontra um mundo de piratas ao jogar Assassin’s Creed IV Black Flag: desde a ascensão de Edward a capitão do seu navio, aos roubos diversos, à amizade com a comunidade pirata, tesouros escondidos, mergulhos a navios antigos, furtos e abordagens a diferentes navios, batalhas navais e muitas outras coisas. Tudo isso é divertido demais para quem quer simplesmente jogar um jogo de piratas, independente da história.

E, na minha opinião, uma das melhores coisas de Assassin’s Creed IV Black Flag é ouvir as cantigas dos marujos, as sea shanties. Sim, as 35 cantigas dos marujos são lindamente executadas pela tripulação do Jackdawn, mostrando entusiasmo e deixando o clima ainda mais naval.

Minhas cantigas preferidas: Randy Dandy Oh, Drunken Sailor e a clássica Spanish Ladies.

Não sei quem de vocês já assistiu ao filme Mestre dos Mares, com Russel Crowe e Paul Bettany. O filme se passa praticamente todo em alto mar e conta a história de um capitão no comando de um navio. Em um dos momentos do filme, a tripulação começa a cantar uma das cantigas, a fodástica Spanish Ladies.

Vejam o trecho:

E aqui embaixo vai a versão cantada no jogo, que é realmente animal. Se quiserem acompanhar com a letra, eu também vou deixar aqui embaixo. Um detalhe é que essa cantiga possui diferentes versões e sua história é bem interessante.

Spanish Ladies

Farewell and adieu unto you Spanish ladies
Farewell and adieu to you ladies of Spain
For it’s we’ve received orders for to sail for old England
But we hope very soon we shall see you again
We’ll rant and we’ll roar like true British sailors
We’ll rant and we’ll roar across the salt seas
Until we strike soundings in the Channel of Old England
From Ushant to Scilly is thirty-five leagues

We hove our ship to with the wind at sou’west, boys
We hove our ship to, our soundings to see
So we rounded and sounded; got forty-five fathoms
We squared our main yard and up channel steered we

Now the first land we made it is called the Deadman
Next Ram Head off Plymouth, off Portland the Wight
We sailed by Beachy, by Fairlee and Dungeness
Till we came abreast of the South Foreland Light

Then the signal was made for the grand fleet to anchor
All in the Downs that night for to lie
Then it’s stand by your stoppers, see clear your shank-painters,
Haul all your clew garnets, let tacks and sheets fly

Now let every man toss off a full bumper
And let every man drink off a full glass
And we’ll drink and be merry and drown melancholy
Singing, here’s a good health to each true-hearted lass

E se você acha que as cantigas de piratas não são tradicionais, até no desenho dos Backyardigans, uma das shanties aparece no episódio em que eles brincam de piratas. Imagine a minha emoção e orgulho quando percebi que meu filho estava assistindo a isso. Detalhe que o nome do meu filho é Eduardo ainda…

No episódio, eles cantam uma nova versão para Drunken Sailor, trocando para Scurvy Pirate (Tira-se o “marinheiro bêbado” e coloca “pirata vil”, afinal, é um desenho para crianças).

Esta aqui é a versão original do jogo, com seu adorável refrão:

What will we do with a drunken sailor?
What will we do with a drunken sailor?
What will we do with a drunken sailor?
Early in the morning!

Assassin’s Creed IV Black Flag e sua linha tênue entre heróis e bandidos

Assassin’s Creed nunca foi um jogo sobre heróis e vilões. Ou, pelo menos, não nasceu como um jogo onde deixa claro quem é o herói e quem é o vilão. Em Assassin’s Creed 1, com Altair, é bem difícil achar quem está certo ou errado em todo aquele amontoado de interesses e ações. Mas, passando um tempo na Itália matando os Bórgias, percebemos que os Templários podem ser muito loucos e, por fim, vilões. Só que, em Assassin’s Creed III temos novamente a dúvida sendo levantada com o fantástico Haytham Kenway e uma luta pela liberdade toda orquestrada por interesses, protagonizada por Connor, mas com “zero” de liberdade para o povo e sim uma troca de “governo”.

Neste ínterim, Assassin’s Creed IV Black Flag mostra que piratas, os terríveis ladrões do alto mar também possuem sua própria história, sua comunidade e sua vida seguindo seus valores e seus códigos de conduta, formando uma ética pirata. Quando percebemos que muitos piratas tomaram essa vida após o abandono da coroa, nos perguntamos, novamente, quem é herói e quem é vilão nessa história toda.

tn-Assassins Creed IV Black Flag aclamado - saqueando

E, ao decorrer do jogo, encontramos um elenco de personagens altamente carismáticos, com piratas cheios de personalidades e estamos inseridos naquele meio, percebendo que Edward Kenway acaba por pertencer a uma família de amigos, diferente de qualquer outro Assassin’s Creed. O mais parecido com isso é Assassin’s Creed II, quando Ezio vai sendo ensinado aos poucos pelos diversos Assassinos da Itália Renascentista. A diferença aqui é que Edward Kenway não se mostra um aprendiz, mas sim um cara “fodão” desde o começo do jogo, quando rouba o manto de Assassino e toma as rédeas da história buscando a glória.

Então, jogamos com uma mistura de ladrão, já que Edward toma os pertences de outros navios e ao mesmo tempo um herói, já que quer o bem de sua comunidade pirata, protegendo-os ao máximo. Essa mistura garante a conquista de um grande público.

Edward Kenway, o personagem carismático

Muitas características positivas fazem de Edward Kenway um personagem querido. Ele estrela o game ao lado de ótimos personagens secundários (os melhores da saga, talvez) e desempenha seu papel com maestria. Por isso, tentei levantar só alguns pontos do porquê do pirata ter feito tanto sucesso.

Um personagem principal bonitão

A aparência diz muito no mundo do entretenimento e isso não se pode negar. Vamos pegar, por exemplo, os filmes da Marvel Studios, onde os heróis são todos fodões e bonitões, sarados e tudo mais. Se você assistiu Thor ao lado de uma garota, sabe do que eu estou falando (e, aqui comigo, o maluco é bonito bagarai mesmo). Em Assassin’s Creed, a mesma cosia. Altair e Desmond nunca fizeram o tipo pegador, enquanto Ezio, mesmo tendo a mesma cara deles, mas com um penteado mais cool e muita atitude, conquistou tanto os jogadores masculinos, que queriam ser como ele, quanto as meninas, que poderiam sonhar com um garanhão italiano (e os meninos que gostam de meninos também, claro).

Depois de Ezio, Connor passou longe de representar o cara bonitão e Edward Kenway veio no sentido oposto. Loiro de olhos claros com cara de mal e queixo quadrado, o personagem parece ter sido feito sob medida para seduzir jogadores e jogadoras. Não apenas por sua aparência, mas suas atitudes, já que nos trailers ele já se mostrava pegador, ousado, fodão.

Olhe esta foto, vai me dizer que ele não parece o Chris Hemsworth?

tn-Assassins Creed IV Black Flag aclamado - Edward Kenway close - X

Um personagem principal fodão

Edward Kenway, além de ser bonitão, era o cara que se achava diferente desde o começo de sua vida. Assassins Creed IV Black Flag aclamado - Edward em péIndependentemente de ser ou não pirata, quem leu o livro Bandeira Negra se lembra que, desde o começo, ainda comercializando os pelos de ovelhas tosquiadas pelos seus pais, o jovem Edward já arrumava confusão nos bares por se autoproclamar mais inteligente e mais valentão que seus camaradas de bebedeiras.

Essa personalidade se manteve durante todo o jogo. Edward Kenway é fodão, sabe que é fodão e tira vantagem disso quando é necessário. É o típico cara que nasceu para comandar, mesmo que isso seja feito de maneira meio torta. E, o mais legal deste tipo de “cara” é que ele não é idiota. Pelo contrário, como eu disse um pouco antes, ele é um cara legal, que ajuda os outros, que se preocupa e tudo mais.

Como na bela relação de amizade de Edward com Mary Read, ou na consideração sincera que Adewale e Edward compartilham, ou no respeito mútuo entre ele e Blackbeard. Por essas relações, nós percebemos que Edward não é o cara desagradável (que Altair é no começo de Assassin’s Creed 1), mesmo sendo um cara que sabe que é fodão.

E, também, como eu já mencionei, Edward conquista as coisas “sozinho”, tomando seu destino nas mãos, diferente de Ezio que é praticamente uma vítima de sua tragédia e só vai abraçar seu “destino” quando mais velho, em Assassin’s Creed Brotherhood. Isso faz de Edward o cara foda que sabe que é foda, mas é gente boa.

O personagem principal gente boa

Edward é o tipo de personagem que todo mundo gosta porque ele tem várias características boas. Como eu já mencionei, no âmbito da aparência, ele é bonitão. Quando se trata de ser um personagem de jogos, ele é o chamado “bad ass”, o cara que sabe que bate em todo mundo, mas nem por isso sai batendo e, ao mesmo, ele também é o cara legal que acaba se tornando mais preocupado com os outros, principalmente depois do que acontece com Mary Read.

E por que ele é um personagem tão carismático? Porque ele é foda no que ele faz. Algumas pessoas que, por quaisquer motivos, não gostaram de Assassin’s Creed IV Black Flag, vão dizer que Edward é menos Assassino do que X, ou do que Y e, para todos esses mimimis eu só digo uma coisa: foda-se. Edward estava cagando e andando para dogmas e irmandades e seguiu seu próprio destino até que a vida o fez voltar a atenção para tal.

E, mesmo passando uma vida inteira na esbórnia, pilhando corpos e saqueando navios, ainda assim, o cara se voltou para os assuntos da Irmandade e virou um cara foda para tal – claro que eu ainda acho o jeito como ele morreu foi uma bela duma bosta, mas, paciência. A questão é que o comportamento de Edward e toda sua história molda o personagem e mostra que os Assassinos são altamente falhos e que a Irmandade é pluralizada, com diferentes vertentes de histórias, com os mais variados perfis de membros.

tn-Assassins Creed IV Black Flag aclamado - Edward Kenway Ending

Então, tentar diminuir o personagem Edward somente porque ele não dava a mínima para a Irmandade não é nem um argumento, é só uma reclamação infantil de quem, por algum motivo não gostou do jogo e nem quer tentar ver o personagem com mais profundidade.

Sabe outra cara que é assim e todo mundo gosta: Wolverine. É desse tipo de cara que eu estou falando: aquele que todo mundo respeita, não apenas por saber que apanha, mas porque o cara é legal e não deixaria, por exemplo, algum babaca se aproveitar de uma mulher.

Edward Kenway e Assassin’s Creed IV Black Flag funcionaram tão bem que o título foi o único que ganhou uma adaptação oficial de mangá. Junto com Ezio Auditore, são os personagens que mais fizeram fama e romperam suas aparições para outros canais, jogos de outras produtoras, etc.

Se você ainda não conhece o mangá de Assassin’s Creed IV Black Flag, sugiro a leitura desta postagem, sobre todos os quadrinhos de Assassin’s Creed.

Assassin’s Creed IV Black Flag – Uma história desprendida de Assassin’s Creed

Uma das coisas que mais me surpreende em Assassin’s Creed IV Black Flag é como ele funciona sozinho, apartado dos outros jogos da franquia Assassin’s Creed. Sim, isso é bom e ao mesmo tempo terrível (exatamente por isso, vários fãs da saga o criticam), já que, dentro do contexto de Assassin’s Creed, o jogo se torna razoavelmente fraco em termos de história.

Mas, essa é a grande questão. Assassin’s Creed IV Black Flag funciona muito bem como um capítulo de uma grande franquia que estava no ápice da sua mudança. Se acompanharmos, Assassin’s Creed nasceu sob a sombra de um personagem principal, Desmond Miles. Esse personagem, residente no tempo presente, era o traço de ligação entre tudo o que acontecia dentro da saga e que dava o sentido para se jogar o jogo.

tn-Assassins Creed IV Black Flag aclamado - batalhas navais

Apesar de controlarmos outros personagens em diferentes épocas, era Desmond que trazia o jogador para o centro da história, mostrando que algo estaria a acontecer, mostrando que todo aquele amontoado de história teria um sentido e uma finalidade. Tudo isso foi entregue durante os cinco primeiros jogos e, todo mundo sabe, depois de uma brusca tomada de decisão por parte da Ubisoft, eles abandonaram o personagem principal e mostraram uma nova maneira de jogar o tempo presente, agora, sem personagem principal, apenas com um personagem mudo que não tem nome, simulando o próprio jogador no jogo.

Somente por isso, já dá para condenar o jogo ao Inferno, mas, ao mesmo tempo, quando você sai do tempo presente para navegar na história de Edward Kenway, a imersão é tão divertida e o jogo se desenvolve tão bem que você faz questão de esquecer o que está acontecendo no tempo presente (Um: porque a história no tempo presente é de qualidade duvidosa e, Dois: porque jogar com Edward Kenway é do caralho).

tn-Assassins Creed IV Black Flag aclamado - navegando

E, aqui vem o pulo do gato, a diminuição da necessidade de jogar o tempo presente faz o jogador casual, aquele que nem sabe quem é Assassino, quem é Templário e foda-se as Maçãs, as peras e os limões do Éden, faz esse cara colocar o jogo para rodar, pegar o joy e se divertir pilhando corpos, saqueando outros barcos, destruindo inimigos e ainda bebendo um pouco nas tavernas. Ou seja, Assassin’s Creed IV Black Flag trouxe um equilíbrio ausente na franquia, já que ela sempre foi complexa o suficiente para exigir muita atenção do jogador, caso ele queira entender o que está acontecendo.

Essa amenizada na história é convidativa e criou uma personalidade para o jogo que divide opiniões. O jogador que começou com Assassin’s Creed IV Black Flag se divertiu horrores com um personagem carismático, com um sistema fluido e suave e com uma história rasa, mas divertida. Daí ele sai de Assassin’s Creed IV Black Flag e vai jogar o primeiro jogo da série, já que ele gostou e quer entender o que está acontecendo e se depara com uma história complexa, cheia de reviravoltas e que exige a atenção para N coisas que está acontecendo, em um jogo sem legendas, com um sistema mais travado e altamente repetitivo.

O que acontece: esse jogador vai idolatrar o jogo que ele teve a primeira experiência.

Assassin’s Creed IV Black Flag é um jogo de exploração (e isso ‘tá na moda)

A ideia aqui, no entanto, não é justificar que Assassin’s Creed IV Black Flag é bom por causa da experiência de jogo de um player por conhecer a série através dele, mas sim porque o título é, independentemente dos outros, um game de exploração como nenhum outro título da série conseguiu ser. Mesmo jogos com mapas maiores, como Assassin’s Creed Syndicate, não conseguem dar o ar de exploração que Assassin’s Creed IV Black Flag passa. E por quê?

tn-Assassins Creed IV Black Flag aclamado - exploração

Bom, acho que a temática do jogo responde por si só. Em Assassin’s Creed IV Black Flag você é um pirata. Você é movido por glória, ouro e descobertas. Perambular por ilhas e cidades, roubar navios e mergulhar no fundo do mar em busca de novas conquistas faz todo o sentido para um personagem pirata desbravador. É a mesma coisa quando você busca alguns colecionáveis em Assassin’s Creed II. Exemplo: todo jogador deveria ser obrigado a recuperar todas as penas do pequeno Petrucio, já que aquilo demonstra o respeito que Ezio tem por seu irmão mais novo falecido e, também, o empenho por fazer sua mãe sair do transe em que está. Há razões dentro da história para aquilo ser feito.

A mesma coisa acontece com a melhoria da cidade em Roma (quando a “libereichon ofirroma résbigan”), em Assassin’s Creed Brotherhood. Se você entrou no clima do jogo, você quer melhorar a cidade para que ela prospere longe do controle dos Borgia. Agora, em alguns outros títulos, muitas missões secundárias você pode fazer se quiser e, ao final, vai destravar uma ou outra conquista/troféu, com um item novo e tal, mas, para a história mesmo, aquilo simplesmente não faz diferença.

Em Assassin’s Creed IV Black Flag, correr atrás de tesouros com um mapa é a essêtn-Assassins Creed IV Black Flag aclamado - Livro - a ilha do tesouroncia dos piratas romantizados que conhecemos no genial clássico da literatura inglesa, A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson – uma leitura que eu recomendo muito. Aliás, fazendo um parênteses monstro aqui, eu recomendo DE VERDADE ESSE LIVRO, acho que vou até lê-lo novamente. E, mesmo que eu nunca tenha comandado um navio, acredito que um pirata vive no mar, pois também faz parte da visão romântica que temos a respeito desses personagens – não apenas piratas, mas as pessoas que vivem nas águas (vou dar outra dica de livro que se passa em alto mar, mas sem a “aventura fantástica”. Leia “O velho e mar”, de Ernest Hemingway, para entender sobre o que eu estou falando).

Essas pessoas que vivem no mar precisam estar nele e, quando você, controlando Edward Kenway, vê aquele mapa cheio de lugares não explorados, parece que um forte convite é feito, quase exigindo que você vá até lá descobrir o que há.

Jogos de exploração são assim. Ir até um lugar para descobrir o que nele há pode ser mais importante do que simplesmente “passar de nível” ou enfrentar um inimigo mais forte e vencer. A ideia é conhecer novos espaços, transformando a descoberta e o caminho para tal no principal elemento da diversão e isso, Assassin’s Creed IV Black Flag é o melhor representante da franquia.

Concluindo tudo isso.

Assassin’s Creed IV Black Flag é uma soma de sucessos da Ubisoft, trazendo um tema divertido com cara de aventura clássica (de novo, leia “A Ilha do Tesouro”), um personagem carismático, um elenco de personagens secundários fantásticos e um sistema balanceado e divertido. A meu ver, o único ponto fraco de Assassin’s Creed IV Black Flag é a história e, eu não quero dizer a história do jogo em si que, de novo, a meu ver, funciona bem, mas, sim, a história do jogo como um capítulo da saga Assassin’s Creed. Neste quesito, o jogo deixa muito a desejar.

Afora isso, é um dos jogos que mais recomendo para quem quer se divertir jogando Assassin’s Creed.

 

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